O conjunto de ativos que a BRF (Brasil Foods) terá que vender em troca da aprovação do negócio entre Sadia e Perdigão pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) corresponde a quase um terço da capacidade produtiva da empresa e será repassado a um único concorrente.
Com isso, o Cade busca dar escala para que a nova empresa possa competir efetivamente com a BRF. "Criamos o vice-líder", afirmou o conselheiro Ricardo Ruiz, responsável pela confecção do acordo.
Em alguns mercados, a empresa que adquirir os ativos que serão vendidos entrará com uma participação de mercado superior a 20%. Os ativos vendidos produzirão 730 mil toneladas de alimentos por ano, o correspondente a 80% da capacidade produtiva da Perdigão.
O valor foi determinado com base na participação de mercado da Sadia ou da Perdigão em cada um dos mercados analisados, como forma de garantir que a nova empresa tenha sempre pelo menos a fatia correspondente à menor participação de mercado de uma das duas.
O acordo com o Cade prevê ainda que, quem comprar o conjunto de ativos, não poderá demitir os funcionários por pelo menos seis meses. Além disso, a BRF não poderá recomprar nenhum ativo ou marca vendida por dez anos.
A BRF terá que vender as marcas Rezende, Wilson, Escolha Saudável, Confiança, Delicata e Doriana e outras. A empresa repassará ainda a concorrentes cadeias inteiras de produção, desde abatedouros até fábricas e centros de distribuição, para garantir que o comprador tenha escala para concorrer imediatamente com a BRF. As cadeias deverão ser integradas geograficamente nos mesmos moldes à operação hoje feita pela BRF.
Serão vendidas dez fábricas, quatro abatedouros, doze granjas, quatro fábricas de ração e oito centros de distribuição.

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